Por Que Você Quer Desistir do Seu Ministério (E Não É o Que Você Está Pensando)

Quer desistir do ministério e acha que sabe o motivo? Neste episódio do Worship Backstage, Jonathan aponta os 3 motivos reais por trás do desânimo nos departamentos da igreja e como recuperar o propósito antes de tomar uma decisão errada.

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Você entrou no ministério cheio de energia. Tinha planos, visão, vontade de fazer acontecer. Mas os meses foram passando, a realidade foi chegando, as pessoas foram decepcionando, e agora aquela vontade de largar tudo bate com uma frequência que você nem consegue mais ignorar.

Você provavelmente já tem uma lista de motivos na cabeça. A fofoca, o colega que não se compromete, o líder que não te apoia, o pastor que barra suas ideias. Mas nesse episódio do Worship Backstage, aponto para algo diferente. O problema real pode não ser nenhum desses.

O verdadeiro motivo por trás do desânimo

Antes de qualquer coisa, uma pergunta direta: por que você entrou nesse ministério?

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Não a resposta bonita. A resposta honesta. Você entrou para agradar o pastor? Para fazer parte de um grupo? Para se sentir útil? Para ser reconhecido?

Não tem problema nenhum em admitir isso. O problema é continuar fazendo por anos uma atividade sem entender o propósito que vai além dessas motivações iniciais. Porque quando as coisas ficam difíceis, e vão ficar, a única coisa que sustenta é o propósito. E se o propósito nunca foi construído de verdade, qualquer obstáculo vira motivo para desistir.

Jonathan foi direto nesse ponto: quando você faz algo só para agradar, só para ser visto, só para ter reconhecimento, o desânimo é inevitável. Não porque o ministério é ruim. Mas porque a motivação estava no lugar errado desde o começo.

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1. Você esqueceu o propósito

Esse é o primeiro e mais comum motivo do desânimo nos ministérios.

Com o tempo, a rotina vai engolindo tudo. Ensaio, culto, ensaio, culto. E em algum momento você para de lembrar por que começou. A atividade continua existindo, mas o sentido foi embora. E quando uma atividade perde o sentido, ela vira peso.

É aí que o ambiente começa a parecer tóxico. As pessoas ao redor começam a parecer um problema. A congregação começa a parecer um fardo. Mas muitas vezes o ambiente não mudou. Foi o propósito que saiu de vista.

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A primeira coisa que Jonathan recomendou para quem está nesse estado é simples mas poderosa: volte à origem. Lembre do que te moveu a entrar. Lembre do que você queria ver acontecer. Porque quando o propósito está vivo e à vista, as barreiras continuam existindo, mas elas perdem o poder de te parar.

2. Você não está aceitando a realidade

Esse segundo motivo é mais difícil de enxergar porque exige honestidade sobre as próprias expectativas.

Você entrou no ministério com uma visão de como as coisas deveriam ser. Um grupo comprometido, pessoas alinhadas, ensaios produtivos, todos na mesma frequência. E aí você se deparou com a realidade, que é bem diferente disso.

Existem pessoas que fazem o que fazem sem saber por que fazem. Pessoas que chegam atrasadas, que não tiram o louvor com antecedência, que parecem não estar nem um pouco comprometidas com o que você considera essencial.

O ponto aqui não é baixar o padrão. É entender que cada pessoa está num estágio diferente da vida e da jornada. Aquela pessoa que você acha que está te atrapalhando talvez tenha se esforçado demais só para conseguir aparecer no ensaio, enquanto outras áreas da vida dela estão completamente desestruturadas.

Jonathan usou um exemplo bíblico que encaixou perfeitamente. Quando Jacó e Esaú se reencontraram depois de anos separados, Esaú quis que Jacó fosse junto no mesmo ritmo que ele. E Jacó disse não. Explicou que tinha um rebanho e uma família que não conseguiam andar naquele ritmo, e que se forçasse o passo, perderia todos no caminho. Por isso iria no ritmo deles.

Você está indo no ritmo do seu rebanho, ou está exigindo que todos corram no seu?

3. Você está tentando impor a sua vontade

Esse terceiro motivo é onde o desânimo vira conflito.

Você tem uma visão clara. Sabe onde o ministério poderia chegar. E quando as pessoas não acompanham, quando o processo não evolui no ritmo que você imaginou, a tendência é forçar. Cobrar mais do que o grupo consegue entregar. Criar um clima de pressão que vai afastando as pessoas ao invés de aproximá-las.

E aí surge um paradoxo doloroso: você queria que o grupo crescesse, mas as suas ações estão sendo o principal motivo do desconforto nos ensaios, nas reuniões, nos eventos.

Isso não significa que você está errado em querer qualidade. Significa que existe uma diferença entre inspirar e impor. Entre convidar e cobrar. Entre liderar pelo propósito e liderar pela força.

Jonathan foi claro ao dizer que tendemos a ser muito mais rígidos com os outros do que com nós mesmos. Para as falhas dos outros sempre encontramos um problema. Para as nossas próprias falhas sempre encontramos uma justificativa. Equilibrar essa balança é um exercício de maturidade que todo líder precisa fazer.

O que fazer a partir de agora

Se você se identificou com algum desses três pontos, a saída não é complicada, mas exige disposição para olhar para dentro antes de apontar para fora.

Primeiro, volte ao propósito. Escreva se precisar. Lembre do que te moveu no começo e use isso como âncora nos dias difíceis.

Segundo, aceite a realidade do grupo como ele é hoje, não como você imaginou que seria. Isso não é resignação. É o ponto de partida honesto para qualquer transformação real.

Terceiro, pare de tentar empurrar o grupo no seu ritmo. Aprenda a ir no ritmo deles enquanto você mostra o caminho. As pessoas seguem quem as respeita, não quem as pressiona.

O desânimo que você está sentindo não é necessariamente um sinal de que você está no lugar errado. Às vezes é um sinal de que você perdeu de vista por que está lá. E quando o propósito volta, a força para continuar volta junto.

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John Silva
John Silva
Engenheiro de Banco de Dados com Formação em Bacharelado em Ciências da Computação pela Universidade de Guarulhos atuante no mercado a mais de 10 anos. Além de trabalhar com sonoplasta no mercado de trabalho e igrejas, técnico de som por formação e escritor voluntário. Apesar de formado na área de exatas, se aventurou com as palavras entrando para o time de colunistas da Visão em Cristo.
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