Você Está Vivendo de Experiências… ou de Constância com Deus?

Você vive esperando o próximo retiro ou congresso que vai mudar tudo? Descubra por que a experiência marca, mas só o processo transforma de verdade a sua vida cristã.

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Você já se pegou esperando aquele momento — aquele culto, aquele retiro, aquela Experiência — que vai finalmente mudar tudo de vez? Aquele instante em que você vai chorar, ser tocado, sentir algo sobrenatural e, a partir daí, sua vida vai ser completamente diferente? Pois é. Esse papo de hoje é justamente sobre isso. E talvez ele bata um pouco na sua consciência. Mas é exatamente esse o objetivo.

A armadilha de viver correndo atrás do próximo momento

Depois de acompanhar muitos retiros, congressos e eventos evangélicos, uma reflexão começou a incomodar: quanto da nossa fé está sendo pautada por experiências?

É fácil cair nessa armadilha. A gente idealiza que, a partir do momento em que sentir aquela comoção, aceitar Jesus na frente de todo mundo, for batizado no Espírito Santo ou viver algum momento extraordinário, tudo que estava travado vai se resolver. Os pecados de estimação vão embora, os hábitos ruins somem, e a vida começa do zero.

Só que isso vai na contramão do que o próprio evangelho ensina. A palavra de Deus não prega uma transformação instantânea e mágica. Ela prega constância, processo e transformação gradual.

Sem processo, não há mudança real

A experiência marca. Ninguém tira isso. Mas se depois dela você não passa por nenhum processo, a tendência é voltar pros mesmos hábitos — porque a nossa vida é movida por hábitos, muitas vezes sem a gente nem perceber.

Pensa assim: você pode saltar de paraquedas uma vez na vida e isso te marcar pra sempre. Mas isso não te torna um paraquedista. Pra isso, você precisa de treino, repetição, processo.

Na fé é igual. A experiência pode ser o gatilho, o combustível inicial. Mas o que te transforma de verdade é o processo de se debruçar na palavra, de orar, de desenvolver disciplinas espirituais, de continuar mesmo quando não tá sentindo nada de extraordinário.

E aí que mora o problema de muita gente que hoje está desanimada com a fé: ela esperava que a experiência garantisse a mudança. Quando a mudança não veio na velocidade esperada, a frustração tomou conta.

A segunda-feira sempre chega

Tem uma frase que resume bem tudo isso: a segunda-feira sempre chega.

Você aceita Jesus num domingo de culto emocionante. A experiência foi real, o choro foi genuíno, a sensação foi incrível. Mas na segunda-feira o despertador toca. Você vai pro trabalho e encontra aquele colega desonesto. Na quarta, o trânsito te enlouquece. No sábado, a casa tá bagunçada e os filhos estão brigando. E aí? Onde fica a fé no meio do cotidiano?

É justamente nesses momentos — quando o chefe é injusto, quando a tentação aparece, quando tirar vantagem parece não ter consequência — que a fé é testada de verdade. E é aí, no processo do dia a dia, que acontece a transformação real.

Não é no palco do retiro. É na segunda-feira.

Tempo de congregação não é sinônimo de transformação

Esse é um ponto que incomoda, mas precisa ser dito: você pode ter 20, 30, 50 anos de igreja e não ter mudado nada.

Se depois de décadas dentro de uma congregação a pessoa ainda mente, engana, fofoca e tira vantagem de todo mundo, o que mudou? A palavra é direta: fé sem obras é morta. E se trocarmos “obras” por “ações”, fica ainda mais claro — se as suas ações não corroboram o que você diz acreditar, isso é uma fé morta. É crença, não fé viva.

Não adianta a experiência ter sido real se ela não gerou processo. Não adianta ter ouvido a voz de Deus se na segunda-feira você continua sendo a mesma pessoa de sempre.

“Quando eu estiver pronto, eu sirvo”

Outro pensamento que precisa ser desmontado é esse: “Quando Deus me aperfeiçoar, quando eu largar esse pecado, quando eu estiver mais maduro, aí eu começo a servir, aí eu me dedico de verdade.”

Esse momento nunca vai chegar. Não porque Deus não transforma — ele transforma sim. Mas porque a transformação acontece no processo, não antes dele. Você não fica pronto pra entrar no processo. Você entra no processo e vai ficando pronto.

A própria palavra diz: vem como estás. Não existe hora certa, não existe um estado de prontidão que precisa ser alcançado antes de começar. O reino funciona assim: você passa pela porta e começa a caminhar. E é no caminhar que as coisas mudam.

Os grandes personagens bíblicos e o processo

Vale lembrar que muitos dos personagens bíblicos que a gente admira tiveram apenas um momento extraordinário em toda a sua jornada. O pai de João Batista, por exemplo, viveu a vida toda sendo sacerdote fiel, cumprindo suas funções, e teve um único encontro sobrenatural em toda a sua vida.

A vida dele não foi pautada por aquele momento. O processo dela é que sustentou tudo.

E Eliseu e Elias? A gente fica se perguntando por que Deus não faz hoje o que fazia com eles. Mas talvez a pergunta certa seja: quanto tempo, de fato, dedicamos ao processo da fé na nossa rotina? Porque enquanto não estivermos vivendo o processo, dificilmente estaremos preparados para viver o extraordinário.

Então, o que fazer com as experiências?

Nada do que foi dito aqui quer diminuir as experiências. Elas são reais, elas marcam, elas podem abrir horizontes e dar um novo sentido pra vida. O problema não é ter experiências. O problema é pautar toda a sua fé nelas.

A palavra do Senhor é o que permanece. Os céus e a terra passarão, mas a palavra não passará. Ou seja, o que é inabalável, o que é constante, o que pode de fato sustentar a sua vida cristã não é a emoção do retiro — é a palavra, é o processo, é a constância.

A experiência é o marco. O processo é o que te muda.

A reflexão que fica

Então, fica a pergunta pra você refletir: na sua rotina hoje, existe espaço real para o processo da fé?

Não precisa ser uma hora de oração por dia logo de cara. Mas existe algum tempo para a palavra? Para o silêncio? Para se debruçar de verdade no que você acredita? Ou a sua fé anda vivendo de retiro em retiro, de experiência em experiência, esperando o próximo momento que vai mudar tudo?

Porque as pessoas ao seu redor — sua família, seus filhos, seu cônjuge, seus colegas de trabalho — vão reconhecer Cristo em você não pelo culto que você assistiu no domingo, mas pela forma como você age na segunda-feira.

Comenta aí o que você achou. Concorda? Tem algum ponto que te incomodou? A gente quer saber. E se esse conteúdo tá sendo útil pra você, considera apoiar o Papo de Porta de Igreja se tornando membro apoiador — você financia o projeto e ainda tem acesso a conteúdos exclusivos, artigos, lives e muito mais.

Deus abençoe. Até o próximo papo.

Jonathan Souza
Jonathan Souza
Engenheiro de Banco de Dados com Formação em Bacharelado em Ciências da Computação pela Universidade de Guarulhos atuante no mercado a mais de 10 anos. Além de trabalhar com sonoplasta no mercado de trabalho e igrejas, técnico de som por formação e escritor voluntário. Apesar de formado na área de exatas, se aventurou com as palavras entrando para o time de colunistas da Visão em Cristo.

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