Você já se sentiu desmotivado porque ninguém da congregação apareceu no seu evento? Já ficou frustrado porque os irmãos não divulgaram o seu projeto, não engajaram na sua ideia, não apareceram quando você mais precisava?
Esse episódio do Worship Backstage foi feito exatamente para esse momento. E o papo, apesar de desconfortável, é necessário.
O problema que ninguém quer admitir
Existe um comportamento muito comum nos departamentos de igreja, seja no ministério de louvor, na equipe de mídia, na fotografia, na projeção, em qualquer área de serviço voluntário, que vai corroendo as relações aos poucos sem que ninguém perceba.
Durante o ano inteiro, você fica focado só no seu departamento. Não aparece nos eventos dos outros, não divulga os projetos dos irmãos, não incentiva sua equipe a representar a congregação em outras frentes. Quando te chamam para ajudar, sempre tem uma desculpa. Não é o seu departamento, não é a sua área, você tem muita coisa para fazer.
Aí chega o dia do seu evento. Você quer que todo mundo apareça, que os irmãos divulguem, que a congregação engaje. E aí vem a decepção.
O que aconteceu? Você colheu exatamente o que plantou.
Você derrubou as pontes sem perceber
Não é mal-intencionado. Na maioria das vezes é inconsciente. Mas o resultado é o mesmo: você foi construindo um departamento isolado, uma ilha dentro da própria congregação, e quando precisou da comunidade, ela não estava lá.
E aí vem aquela sensação amarga. Os irmãos só apoiam o pastor. Ninguém valoriza o meu trabalho. A congregação não enxerga o que eu faço.
O egoísmo que a gente não enxerga em si mesmo
Existe uma conta que a gente raramente para para fazer. Quantas vezes você apareceu no evento do departamento de mulheres? Quantas vezes incentivou sua equipe a estar presente no projeto dos homens? Quantas vezes divulgou uma arte de outro departamento no grupo da igreja?
Se a resposta for poucas ou nenhuma, então a frustração de não ter apoio faz sentido. Não porque os irmãos são ruins, mas porque a relação foi construída numa via de mão única.
E o mais interessante é que a gente percebe esse padrão muito claramente nos outros, mas dificilmente em si mesmo. Você olha para o irmão que não apareceu no seu evento e fica frustrado. Mas esquece que no evento dele você também não foi.
Só que o ponto que trouxe nesse episódio é direto: se você não semeia nos projetos dos outros, não espera colher quando for a sua vez.
Apoiar não significa assumir compromisso fixo
Um ponto importante que vale destacar é que apoiar outros departamentos não significa virar membro de todos eles ao mesmo tempo. Não é isso.
É mandar uma mensagem no grupo incentivando a equipe a estar presente. É aparecer quando dá, mesmo que só por um momento. É fazer uma arte simples com antecedência quando um irmão pede ajuda. É indicar alguém da sua equipe para representar o departamento quando você não pode.
O aviso em cima da hora também faz parte
Outro ponto honesto que surgiu no episódio é que às vezes o irmão do outro departamento chega pedindo ajuda com uma semana de antecedência quando precisaria de três. E aí fica difícil de encaixar.
A solução não é fechar a porta. É conversar. Falar que dessa vez não dá para fazer tudo que ele pediu, mas que você vai fazer o que puder. E já aproveitar para combinar que no próximo projeto ele avisa com mais tempo, para que a parceria seja de verdade.
Essa conversa honesta é muito mais construtiva do que simplesmente ignorar o pedido e ficar na sua.
O que muda quando você para de ser uma ilha
Quando um departamento começa a apoiar os outros de forma consistente, algo interessante acontece. A congregação percebe. Não de forma imediata, não do dia para a noite, mas com o tempo as pessoas começam a associar aquele grupo a um departamento que está sempre presente, que apoia, que aparece.
E aí quando é a sua vez de fazer um projeto, de lançar um evento, de precisar de ajuda, a congregação lembra disso. E ela aparece.
Não é estratégia. É simplesmente colher o que você plantou.
São atitudes pequenas que constroem pontes. E essas pontes, com o tempo, fazem toda a diferença quando você precisar que a congregação esteja do seu lado.
Uma reflexão para hoje
Antes de fechar esse artigo, vale uma pergunta simples para você que lidera ou participa de algum departamento na sua igreja: quando foi a última vez que você apareceu num evento que não era o seu?
Se a resposta te desconfortou um pouco, esse foi exatamente o propósito desse episódio. Não para condenar, mas para abrir os olhos para uma oportunidade que talvez você esteja perdendo.
A congregação não cresce em ilhas. Ela cresce em comunidade. E comunidade se constrói com pequenas atitudes de presença, generosidade e apoio mútuo, todos os dias.


