O Culto Não É um Show — E Você Não É o Público

Você avalia o som, o louvor e a pregação e esquece de adorar? Descubra por que o culto não é um show, você não é o público e como voltar ao lugar de adorador.

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Você já saiu de um culto reclamando do som, da iluminação, da pregação que não te agradou, do louvor que estava desafinado? Se sim, esse papo é pra você. Porque talvez sem perceber, você tenha trocado o lugar de adorador pelo lugar de espectador. E essa troca muda tudo.

O conceito de culto que a gente tem está errado

Antes de qualquer coisa, precisa ser dito: a maioria de nós cresceu com uma ideia equivocada do que é culto. A gente aprendeu que culto é aquela reunião semanal na congregação — aquele horário marcado onde todo mundo se junta. E ponto.

Só que se a gente voltar à origem bíblica do culto, vai perceber que ele não é coletivo. O culto é individual. A reunião é coletiva, sim — mas o culto que cada pessoa presta a Deus é individual.

O que isso significa na prática? Significa que você pode estar sentado na cadeira da sua congregação, com o corpo presente, e não estar cultuando absolutamente nada. Já aconteceu com você? Você saiu de uma reunião e não lembrava nem o tema da mensagem, nem qual louvor foi cantado, nem os avisos que foram dados?

Corpo presente, culto ausente.

Paulo deixa isso claro quando diz que a nossa vida deve ser oferecida a Deus como sacrifício vivo — e que esse é o nosso culto racional. No singular. Individual. Não foi uma coisa coletiva que ele descreveu, mas uma entrega pessoal, consciente, de cada um diante de Deus.

Você foi para oferecer, não para receber

Esse é o ponto que mais incomoda — e talvez seja o mais importante de todo esse papo.

A nossa cultura cristã ocidental criou uma mentalidade muito forte de que o culto é o lugar onde vamos receber de Deus. Vou receber a cura, vou receber o milagre, vou receber a resposta, vou receber a bênção. Sempre receber, receber, receber.

Só que se a gente olhar para o tabernáculo, para a primeira concepção bíblica de templo e adoração, vai ver que o povo nunca chegava de mãos vazias. O Senhor deixou claro que seus filhos não poderiam vir à sua presença sem trazer uma oferta. Frutos do trabalho, primícias, sacrifícios — sempre havia algo sendo levado para Deus.

O princípio era esse: você vai até Deus para oferecer algo. E o que você recebe é consequência do que você foi oferecer — porque um dos atributos de Deus é que ele nunca dispensa ninguém de mão vazia. Mas o centro da ida ao templo era sempre a oferta, não a recepção.

Quando a gente inverte isso, quando a motivação principal passa a ser o que vou receber, o culto perde o sentido. E aí começa o problema.

De adorador a espectador: como isso acontece

Existe um momento muito sutil onde a gente deixa de ser o protagonista do culto e passa a ser o público. E quando isso acontece, o culto vira um show — e você começa a julgá-lo como tal.

O louvor estava desafinado. A pregação foi longa demais. A iluminação deixou a desejar. O som estava ruim. O irmão da frente ficou no celular o tempo todo. A liturgia foi monótona.

Soa familiar?

Quando você começa a julgar o culto nesses termos, você já saiu do lugar de adorador. Você está sentado na plateia, avaliando a performance — exatamente como faria com um filme, uma série ou um show de música. Espectador tem o direito de criticar. Adorador não está lá para isso.

Isaías 6 traz um exemplo poderoso disso ao contrário. Quando Isaías se vê diante da glória do Senhor, com os anjos clamando “Santo, santo, santo”, a primeira reação dele não foi avaliar o espetáculo. Foi se ver. “Ai de mim, que vou perecer — sou um homem de lábios impuros.” Ele chegou diante de Deus e saiu transformado. Algo nele mudou completamente naquele encontro.

Esse é o termômetro real de um culto: não o quanto você se movimentou, mas o quanto você foi transformado.

A reunião é coletiva, o culto é individual

Pense na igreja primitiva. Cultos em cavernas, sem iluminação, sem instrumentos, sem som de qualidade, com risco de morte. E ainda assim Deus se manifestava de forma extraordinária naquelas reuniões.

Por quê? Porque aquelas pessoas entendiam que não eram o público. Eram os adoradores. Elas estavam lá para oferecer o melhor que tinham — mesmo que fosse pouco, mesmo que as circunstâncias fossem terríveis, mesmo que a vida estivesse em risco.

E quando todos, de forma individual, estavam nesse mesmo propósito, a reunião coletiva se tornava algo extraordinário. Não pelo ambiente. Pela entrega.

Pensa no dia de Pentecostes — estavam todos reunidos no mesmo lugar. Mas quem foi cheio do Espírito Santo? Todos — mas de forma individual. Porque todos estavam no mesmo propósito, na mesma entrega, cultuando a Deus de coração.

O que você tem para oferecer mesmo num dia ruim?

Esse é o ponto mais honesto do papo. Você pode chegar num culto cansado, triste, desanimado, com problemas pesados nas costas. A vida não para porque tem culto no domingo.

Mas isso não anula o ato de preparar o seu culto. Antes do tabernáculo, o povo já separava o melhor do que tinha para levar a Deus — o primeiro e o melhor do seu celeiro, do seu gado. Aquilo exigia preparação, intenção, esforço. E esse ato de separar e levar, por si só, já era uma declaração: “Deus, o que tenho é teu.”

Você não precisa fingir que está bem quando não está. Mas pode chegar diante de Deus e dizer honestamente: “Não estou bem, estou cansado, estou com dificuldades — mas não vou deixar isso ser maior do que o meu ato de adorar aquele que merece minha honra.”

Isso não é performance religiosa. É fé em ação.

A pergunta que fecha o papo

Faça esse exercício agora: imagine que no culto que você acabou de assistir, Deus estivesse de pé na frente do púlpito, olhando diretamente para você. Ele teria recebido o seu culto hoje? Ele teria recebido a sua adoração — ou você estava ocupado demais avaliando o desempenho de quem estava no palco?

Porque o pastor, o ministro de louvor, o sonoplasta, o pessoal da mídia — todos eles são instrumentos. Ferramentas que auxiliam você a chegar no lugar da adoração. Mas eles não fazem o seu culto por você. Ninguém faz.

Em vez de assistir àqueles que prestam culto, preste culto àquele que está no culto.

Comenta aí o que você achou desse papo. Concorda? Tem algo que te incomodou? A gente quer saber. E se esse conteúdo tocou em algo, compartilha com aquele irmão que você sabe que tá mais na plateia do que no altar.

Jonathan Souza
Jonathan Souza
Engenheiro de Banco de Dados com Formação em Bacharelado em Ciências da Computação pela Universidade de Guarulhos atuante no mercado a mais de 10 anos. Além de trabalhar com sonoplasta no mercado de trabalho e igrejas, técnico de som por formação e escritor voluntário. Apesar de formado na área de exatas, se aventurou com as palavras entrando para o time de colunistas da Visão em Cristo.

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